quarta-feira, 30 de abril de 2008

Andrés nega status de salvador

Comparado a Lula por diretor de marketing, presidente do Timão fala sobre ônus do cargo
Em outubro do ano passado, Andrés Sanches foi eleito presidente do Corinthians depois de 14 anos de Alberto Dualib no poder. Em seus primeiros meses no poder, ele ficou marcado como o mandatário do capítulo mais triste da história do clube: o rebaixamento à segunda divisão.

Aos 44 anos, Andrés é mais procurado por alguns torcedores do que muitos jogadores do atual elenco. Autógrafos, fotos e toda a tietagem são bem aceitos pelo atual presidente do Corinthians, mas ele teme que essa relação mais próxima com a torcida o coloque com status de “salvador da pátria”.

- Talvez essa relação com a torcida seja motivada pela minha idade, por eu não ser tão formal, tudo isso pode ajudar, mas aumenta a responsabilidade. As pessoas podem ter a esperança de que eu sou um salvador da pátria e eu não sou - comenta Andrés Sanches.

Recentemente, o vice-presidente de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosenberg, declarou que Andrés, dentro das proporções, é o Lula dos corintianos. O mandatário do Timão, a princípio, rechaça tal comparação, mas depois admite semelhança.

- (risos) O Rosenberg sempre diz frases bonitas. Eu me sinto muito longe de ser comparado com o Presidente da República. Eu sou do jeito que sou. E talvez, dentro das proporções, num espaço menor, eu seja parecido com ele nesse sentido. Por isso que eu recebo tantas críticas como ele recebe. Mas não sou populista - fala Andrés.

Nesta entrevista, concedida na sala da presidência do Parque São Jorge, Sanches ainda fala da dívida do Corinthians, das dificuldades na Série B do Brasileiro, do ônus que ainda tem da relação com a MSI e do ex-presidente Alberto Dualib.

  • Balanço dos primeiros meses de presidente

“Todo mundo sabe as condições em que eu peguei o Corinthians financeiramente e tecnicamente, era talvez o maior caos da história do clube. Nunca tínhamos chegado a uma situação tão ruim. Eu sabia que seria um mandato curto, de um ano e três meses, muito complicado. É ônus que se paga”.

  • Dívida do Corinthians

“A dívida do clube é de R$ 101 milhões. Eu gasto hoje 25% do orçamento todo para pagar dívidas. É um absurdo. Tem coisas que aconteciam que eram complicadas. Não tem como você pagar oito milhões de euros pelo Nilmar e depois ele virar jogador do Internacional. Eu espero até fim do ano diminuir a dívida em até 30%”.

  • Reeleição

“Tem horas que eu penso que sim e tem horas que penso que não. Nas horas que sim eu lembro de tudo que posso fazer de bom para as pessoas e pelo clube. E nas horas que não eu lembro do quão desumano é. Sem citar nomes, isso aqui é um jogo de vaidade e interesse terrível”.

  • Estar na Série B atrapalhou contratações?

“Não senti dificuldade nenhuma em contratar jogadores pelo time estar na Série B. Senti dificuldade pelo tumulto e pela confusão que criam. Quem está fora do Corinthians acha que virá pra cá e quando errar um gol vai apanhar, ter seu carro chutado. Tem pressão, sim, às vezes pesada”.

  • Andrés Sanchez pede união

“Independentemente de correntes políticas, de gostos, se não tive união até o final da Série B tudo será mais complicado. Acabando a Série B, cada um toca a sua linha. Estou tentanto trazer a torcida cada vez mais perto de nós, mas politicamente não estou me mexendo muito porque se não deixo de fazer muita coisa”.

  • Herança da MSI

“Eu ainda sofro restrições totais de algumas pessoas por causa dessa época. Eu era simplesmente o vice de futebol, nunca trabalhei diretamente com o Kia (Joorabchian, representante da parceira). Se a imprensa dizia que o Dualib não mandava nada, imagine eu. Eu era um intermediário nessa situação e tive de fazer o time sentir o menos possível toda a intriga que tinha de um lado e de outro. É outro ônus”.

  • Relação com Alberto Dualib

“O Dualib fez muito bem para o Corinthians, mas nos últimos anos se perdeu. Embora a minha relação com ele nunca tenha sido muito boa, eu o respeito. Depois que ele saiu da presidência eu falei apenas uma vez com ele”.

GloboEsporte.

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